Google+ Followers

segunda-feira, 31 de dezembro de 2012

MARTIM EM RASCUNHO

estudando personagens de SIARÁ. Aqui o jovem Martim Soares Moreno invadindo a Ibiapaba com a tropa do capitão Pero Coelho.

segunda-feira, 12 de novembro de 2012

PERO COELHO EM MUCURIPE



O capitão Pero Coelho chega em Mucuripe e encontra a cruz que Vicente Pinzon fincou nas praias cearenses 100 anos antes de Cabral ''descobrir'' o Brasil!

quarta-feira, 31 de outubro de 2012

PRIMEIRA PÁGINA DO 3 EPISÓDIO DE SIARÁ

O título deste Episódio de 28 páginas é: ÀS MARGENS DO RIO SIARÁ, e desta vez contamos a história de como os Potiguares receberam a tropa do açoriano Pero Coelho nas margens do Rio Siará onde seria construído o Forte de São Tiago exatamente alí na atual Barra do Ceará; daqui os "tapuitingas" partiriam para fazer guerra contra os Tabajaras no alto da Ibiapaba e tudo isso você poderá ler e ver nessas páginas.

sábado, 25 de agosto de 2012

SIARÁ 1 JÁ À VENDA!

Enquanto não publicamos a obra já estamos dispondo de exemplares em formato de fanzine para divulgação.
capa colorida em couche, 52 páginas P&B 21X15
10 reais, apenas !
para adquirir é só entra em contato comigo pelo
artecearense@gmail.com

terça-feira, 21 de agosto de 2012

arte da capa de SIARÁ, vol.1

Esta é a arte capa de SIARÁ 1.
HOJE já terminei todo o conteúdo, a diagramação o letreamento e acabamento final,
será um livro do tamanho A5(21X15) em preto e branco com 52 páginas e capa colorida.
a história se refere ao primeiro período colonial da história do Ceará (Siará-açú) que fala sobre a expedição de Pero Coelho à província de Jaguaribe e chegada ao rio Siará em 1603, há ficção e personagens fictícios misturados com fatos e personagens históricos; abordamos os temas mais do ponto indígena, valorizando sua cultura e lutas de resistência à exploração estrangeira, mas não deixamos de destacar também seus interesses pessoais em tirar proveito do comércio com os ''brancos''; minha busca é a origem do cearense, o brasileiro nato, o índio que resistiu e venceu mas não sem sofrer as consequencias da influência estrangeira.

Ainda haverá mais dois volumes para fechar a saga do povo cearense para devotá-los como a origem do Brasil, pois foi nas praias do Ceará onde pela primeira vez o europeu pôs os pés em terras brasilis através de Vicente Pizon, exatamente no Mucuripe a alguns meses antes de Cabral.

minhas fontes tem sido os historiadores Raimundo Girão, Capistrano de Abreu e Gustavo Barroso e Eduardo Bueno, além de outros encontrados na internet; tratei de ser o máximo fiel possível ás imagens da época, aspectos, roupas, utensílios, costumes, mas ainda há muito o que melhorar e as fontes encontradas em museus e bibliotecas são muito escarsas, mas encontrei ainda muito pesquisando o Instituto do Ceará e museus.

 Espero que essa obra desperte nossos corações para valorizar nossa história e ratificar nossa identidade primitiva a fim de que possamos evoluir no respeito aos direitos e deveres humanos.

Ednardo Nogueira,
21 de Agosto de 2012.
Que Tupã nos proteja.

segunda-feira, 13 de agosto de 2012

A Religião dos Nativos de Pindorama.


Não é fácil definir o sistema religioso dos indígenas do Brasil, primeiro porque se trata de vários povos, com culturas diversas, segundo porque, devido à grande movimentação destes povos pelo vasto território brasileiro, os seus costumes e, portanto, também a sua religião sofreram contínuas e profundas modificações através do tempo.
Os antropólogos admitem em geral que se trata de povos de origem mongólica (mongóis siberianos), que teriam atravessado do estreito de Behring, povoando o continente americano desde o Canadá até a Terra do Fogo. É possível que algumas levas de semitas, talvez de fenícios, tenham navegado até o México, e mesmo que povos da Melanésia tenham abordado a costa do Pacífico, penetrando no interior da América do Sul. Mas trata-se de hipóteses sem fundamento consistente, e, em todo o caso, não foram tão importantes que alterassem de modo sensível a etnia mongólica de nossos indígenas.
As aparentes diferenças de cor da pele e de estatura corporal podem muito bem ser explicadas pelo ambiente em que os nossos indígenas viveram e ao regime alimentar que adotaram. Assim, os indígenas protegidospela densa floresta conservaram-se mais claros do que os dos cerrados, mais expostos ao sol, e os que se alimentaram de caça se desenvolveram fisicamente mais do que os que só tinham peixe por dieta.
Os etnólogos admitem também quatro grandes áreas culturais: a Andina, que se desenvolveu a partir do Paraná, com intensa agricultura, produzindo a urbanização, a arquitetura, a indústria de tecidos e cerâmica, cujo expoente máximo é o Império dos Incas; a do Círculo das Caraíbas (Antilhas, Colômbia, Venezuela), de agricultura menos intensa e de organização social menos refinada, mas com uma cerâmica expressiva; a da Grande Floresta, com agricultura de subsistência, caça e pesca; a dos Cerrados, a mais pobre culturalmente, caracterizada pela coleta de frutos, raízes, pequenos animais. A arqueologia, por sua vez, admite que os primitivos habitantes da América do Sul se tenham concentrado, primeiramente, em certas áreas verdes das cabeceiras dos grandes rios, e só aos poucos povoaram o resto do continente sul-americano, à medida em que a floresta progredia pelas savanas e pelas margens fluviais. Este fato esclarece até certo ponto que os indígenas da América do Sul, em particular do Brasil, tenham formado desde tempos remotos grandes grupos lingüísticos distintos, pois os primitivos habitantes destas regiões tiveram de viver milênios segregados em suas ilhas verdes, criando costumes próprios. Esclarece igualmente o fato de nos últimos milênios se terem dado a uma grande movimentação pelo território brasileiro, a ponto de o grupo Tupi-Guarani, originário do território da atual Rondônia brasileira, se ter espalhado por todo o território brasileiro atual, desde o Estado do Rio Grande do Sul até o atual Amapá.
Acresce que o estudo da religião de nossos indígenas foi bastante descurado pelos sábios e mesmo frontalmente mal interpretado. Os antigos missionários católicos, no afã de reduzir os indígenas à fé cristã, interpretavam apressadamente as suas figuras míticas nos padrões da teologia católica, identificando, por exemplo, Tupã com Javé e Anhangá com o demônio. De sua parte, os antropólogos modernos, interpretam freqüentemente as crenças dos nossos indígenas dentro de padrões socioeconômicos atuais, que tira todo o sentido original da religião de nossos aborígines.
Os Sistemas Religiosos Indígenas

Desta forma, é muito difícil definir, como foi dito, o sistema religioso de nossos indígenas, e só muito por alto podemos enquadrá-lo nas formas estereotipadas de animismo, totemismo, xamanismo.  Preferimos, por isso, descrever os elementos religiosos que mais chamam a atenção dos estudiosos, sem lhes dar uma interpretação definitiva. No entanto, não podemos deixar de ressaltar os elementos xamãnicos, como a crença em um Ser Superior, de caráter celeste, em espíritos também celestes, que intervêm na vida dos homens e nas atividades do pajé, lembrando de perto as atividades do xamã siberiano (transes extáticos, invocação e domínio dos espíritos).
Os ritos são de tipo socioeconômico (ritos de caça, de pesca, de guerra), notando-se a ausência de um culto especifico a alguma figura divina, a não ser entre os Aruaque e Caraíba, talvez por influência de povos vizinhos, como os Chibcha, de cultura superior.
Resumindo, podemos dizer que os grupos indígenas, que povoaram o Brasil antes do advento dos portugueses, não chegaram a um conceito claro da divindade, menos ainda a cultuar publicamente um deus único, mas certamente tenderam a um monoteísmo implícito na figura de um Ser Superior.
A menor ou maior manifestação deste monoteísmo primitivo está condicionada ao sistema de vida que os diversos grupos tiveram de adotar conforme o ambiente em que viveram: a de simples colhedores, em plena floresta tropical; a de caçadores, nos cerrados; e a de incipiente agricultura nas regiões mais férteis.
A vida errante, a que foram compelidos pelas condições adversas do clima e pelas continuas lutas entre os grupos, impediram a elaboração mais refinada de suas crenças e o desenvolvimento de um culto específico.

Grupo Tupi-Guarani

 

Segundo uma lenda muito antiga, Tupi e Guarani eram dois irmãos que, viajando sobre o mar, chegaram ao Brasil e com seus filhos povoaram o nosso território; mas um papagaio falador fez nascer a discórdia entre as mulheres dos dois irmãos, donde surgiram a desavença e a separação, ficando Tupi na terra, enquanto Guarani e sua família emigraram para a região do Prata.
No entanto, a pesquisa científica afirma que o grupo Tupi-Guarani é originário da região hoje chamada de Rondônia, donde o ramo Guarani emigrou para o sul, penetrando no Paraguai, enquanto o ramo Tupi penetrava no Brasil, estendendo-se por todo o seu litoral, desde o Rio Grande do Sul até o atual território do Amapá.
Esta notável movimentação dos Tupi-Guarani prende-se à busca de uma espécie de Paraíso, onde os homens poderiam refugiar-se quando chegasse o fim do mundo, e que estaria colocado na direção leste, além do grande mar (Atlântico). Por isso, cada vez que a situação se tornava calamitosa, os Tupi, sob o comando de um pajé ou de um profeta, empreendiam a longa caminhada em busca da "terra-sem-mal". O Mito, recolhido entre os Apapocuva, guaranis originários do Mato Grosso mas estabelecidos no Estado de São Paulo, diz o seguinte: Nyanderuvusu, "nosso pai grande", ser principal da mitologia apapocuva, criou o mundo e a primeira mulher, Nyandesy, "nossa mãe", que concebeu dois gêmeos, mas foi devorada por uma onça, que respeitou as duas crianças, Nanderykey e Tyvyry, identificados com o sol e a lua. Nyandesy sobrevive na "terra-sem-mal", onde os homens vivem eternamente felizes. Pode-se pensar em uma influência da escatologia cristã, mas o mito motivou já antes da vinda dos portugueses as grandes emigrações do grupo Tupi-Guarani.
Como se vê neste mito, a concepção de um Ser Supremo não é muito clara, mas muitos outros mitos falam de um formador do mundo (da terra, do sol, da lua,dos homens, dos animais...) e fundador dos costumes humanos, de modo que não se pode duvidar da crença geral em um monoteísmo implícito. Muitas vezes o Ser Supremo dá existência, diretamente ou por meio de uma "Grande Mãe", a dois gêmeos, que assumem as funções de "heróis civili- zadores", identificados, como vimos acima, com o sol, a lua. Aliás, o solarização (fenômeno da identificação do Ser Supremo com o sol) é uma constante em toda a mitologia dos indígenas brasileiros.
Entre os Mundurucu, tupis do Tapajós, Caro Sacaibu é um deus criador onisciente e herói civilizador, pois ensinou aos homens a caça e a agricultura. Maltratado pelos mundurucu retirou-se ao mais alto do céu, onde se confunde com a cerração. No fim do mundo, queimará os homens no fogo. Mas é benévolo e atende as preces dos que a ele recorrem (antes da caça, da pesca, nas doenças). Castiga os maus e acolhe benignamente os bons.
Entre os Tupinambás (Estado da Bahia), Monan é um Ser Superior que criou o céu, a terra, os pássaros, os animais. Mas os homens mostraram-se maus e, por isso, Monan enviou Tatá (Tatá-manha = Mãe-Fogo) que consumiu tudo. Só se salvou Irin-Magé, que Monan tinha levado ao céu, e que se tornou o "herói civilizador" da nova geração de homens, com o nome de Maire-Monan, do qual descende Sumé, o grande pajé, que gerou os dois gêmeos Tamendonaré (Tamandaré) e Aricute, que se odiavam de morte, donde a constante rivalidade entre as duas tribos que deles descendem, Tupinambá e Tomimi.
Segundo Couto de Magaiháes (O Selvagem, 1874), os Tupi faziam descender de um Ser Superior antigo as três grandes divindades: Guaraci, o sol; Jaci, a lua; e Ruda, o amor. Guaraci criou os homens e dominava sobre as seguintes entidades sobrenaturais: Guairapuru,protetor dos pássaros; Anhangá protetor da caça dos campos; Caapora, protetor da caça da floresta. Jaci criou os vegetais e dominava sobre as seguintes entidades sobrenaturais: Saci Cererê, espírito zombeteiro; Mboitatá, a serpente de fogo; Urutau, pássaro de mau agouro; Curupira, guardião da floresta. De Ruda, guerreiro que reside nas nuvens, dependem Cairê, a lua cheia, e Catiti, a lua nova.
Infelizmente, os sábios deram em geral mais atenção aos costumes dramáticos dos indígenas do que aos seus ritos secretos, do que resulta conhecermos muito bem os costumes canibalescos dos Tupi, mas muito pouco as suas verdadeiras crenças religiosas.
No entanto, uma coisa é certa: Os Tupi-Guarani possuíam na figura do pajé um elemento religioso de primeira plana, como o xamã dos mongóis siberianos. Estruturalmente, o fenômeno é o mesmo: assim como o xamã siberiano, o pajé é ao mesmo tempo médico, sacerdote, psiquiatra, pois ele cura, dirige as preces, aconselha, empregando não só ervas medicinais como também o transe extático, no qual entra em contato com os espíritos em benefício de seus clientes. Notemos que o pajé não se deixa possuir dos espíritos, como no Candomblé africano, mas, como no xamanismo siberiano, apossa-se dos espíritos e às vezes sai em busca da alma do enfermo, que o abandonara, causando-lhe o estado doentio, para fazê-la retornar ao corpo e restituir-lhe a saúde.
Certamente, podemos encontrar entre os pajés a esperteza dos charlatães e a maldade dos feiticeiros, mas estes elementos são antes deturpações do verdadeiro significado da pajelança, pois esta tem por intento precípuo ajudar o indígena em suas aflições.
Outro elemento típico do xamanismo é a crença na "alma" humana, como entidade espiritual, a qual não se extingue com a morte corporal, mas, transformando-se em "anguera", empreende uma longa viagem em busca da "terra-sem-mal".
Afora os ritos de dança, que serviam para comemorar todos os acontecimentos sociais, como o casamento, a guerra, a morte, o que mais impressionou os antigos autores foi o "canibalismo ritual" dos Tupi-Guarani. Referimo-lo aqui para esclarecer que não se trata de um fenômeno religioso, como acontece entre os Astecas, mas de um rito puramente social, muitas vezes ligado ao rito da iniciação dos jovens guerreiros, os quais, sacrificando um prisioneiro, mostravam a sua maturidade tribal.
Aliás, alguém já sustentou que o canibalismo é um fenômeno socioeconômico, pois aparece sempre onde falta a caça abundante para suprir o grupo de proteínas. De fato, nas Américas o fenômeno está mais ou menos restrito aos Astecas, que não dispunham de grande caça, e aos Tupis, que se estendiam pelo litoral brasileiro.


Grupo Gé (Tapuias)


Outro grande grupo de indígenas do Brasil é o chamado grupo Gê, constituído pelos indígenas que habitavam o planalto brasileiro, desde o Estado de São Paulo até o Pará.  Culturalmente, era o mais atrasado, pois vivia da coleta de frutos, da pesca, da caça e só esporadicamente, por influência dos Tupi, praticavam uma agricultura de subsistência. Em conseqüência, os seus utensílios caseiros eram os mais primitivos e pobres.
O nome Gê quer dizer: chefe - pai - ascendente, enquanto o nome Oran, que também é dado a este grupo, significa: filho - descendente. Os Tupi chamavam-no de Tapuia, que quer dizer: inimigo.
Quanto à religião, podemos encontrar a idéia generalizada de um Ser Supremo, muitas vezes com características de herói civilizador, e não raro identificado com o sol.  Assim, os antigos Aimorés, estabelecidos no Estado do Espírito Santo, acreditavam no "pai de cabeça branca" (Yekankreen Yrung), que habitava no céu. Nunca fora visto, a não ser por alguns homens da era primitiva. Era benévolo e invocado pelo pajé em casos de doença e caristia com cantos e preces, intervindo nas coisas humanas por meio dos "maret" (espíritos), de que se achava cercado. Punia os maus, mandava a chuva, matava os inimigos com flechas, produzia as fases da lua etc.
Os Apinagé, do rio Tocantins, cultuavam o sol, que era objeto de preces e de danças nas ocasiões do plantio e da colheita. Era o autor da organização dual da tribo. Era representado pela forma circular com que a aldeia era construída, pela cor vermelha com que os guerreiros se pintavam. Ao lado do sol, estava a lua, e ambos criaram os antepassados dos Apinagé, mas em grupos separados, e por isso ao norte da vida ficavam os homens do sol e no sul os homens da lua. Também entre os Xavantes se encontra o culto do sol, que é chamado "nosso criador". O mesmo entre os Canela e os Xerente.
São numerosos os mitos sobre o sol, a lua e o dilúvio, bem como a atividade dos irmãos gêmeos.
É geral, igualmente, a crença nas almas dos homens, dos animais, das plantas etc. As almas dos homens não sobem ao céu, depois da morte, mas vivem na terra, nos lugares em que os corpos foram enterrados, transformando-se em outros seres ou em fantasmas.
Os ritos são mais simples do que entre os Tupi, mas não faltam os ritos de passagem e os funerários.  Os pajés têm funções semelhantes como entre os Tupi, curando doenças com ervas, mas também com transes extáticos, nos quais vão em busca da alma que abandonou o enfermo.


Grupo Aruaque


Ao norte do Brasil, encontramos o grupo Aruaque (arwak), oriundo da Venezuela e das Guianas. Essencialmente agrícolas, atribui à lua, astro por excelência das culturas agrícolas, característica de força cósmica, impessoal, existindo antes de todas as coisas e manifestando-se por uma série de emanações. Na origem, porém, está o ar, que assopra nas nuvens provocando a chuva e fecundando a terra. Reina sobre os homens, punindo-os com os elementos desencadeados. Não é invocando pessoalmente, mas por meio dos seres intermediários: vento, fogo, terremoto, trovão... Assume vários nomes e mesmo funções diversas, segundo os vários povos do grupo aruaque. Nas margens do rio Negro, tem o nome de Poré; entre os Maipuri, chama-se Puramínari; entre os Waica, do curso superior do Orinoco, chama-se Omana etc. Entre os Pareci do Mato Grosso, tem o nome de Enoré e entre os Nambiquara, é o Trovão.
São numerosos os mitos que se referem aos elementos agrícolas, como o aparecimento da mandioca.
Mas o mito característico deste grupo é o do Jurupari (aruaque do rio Negro). Jurupari (nascido junto ao rio) foi concebido por uma mulher assexuada depois que ela tomou caxiri (licor de mandioca), e nasceu quando a mulher foi mordida por um peixe enquanto se banhava. Cresceu rapidamente e, adulto, convida todos a beber caxiri, mas como as mulheres não o quisessem preparar, amaldiçoou-as. E como os seus filhos tivessem comido do fruto da árvore uacu, que lhe era consagrada, devorou-os todos. Irritados, os homens aprisionaram-no e atearam-lhe fogo, mas das cinzas nasceu a palmeira paxiuba, de cujos ramos (seus ossos) os homens fizeram flautas, que não podem ser vistas pelas mulheres, sob pena de morte. Este mito tem importância capital nos ritos de iniciação e representa o domínio dos homens sobre as mulheres.

Grupo Caraíba

 

Os Caraíba estão estabelecidos no Estado do Pará à margem esquerda do Amazonas, com alguns grupos disseminados ao longo do rio Madeira (Arara) e outros nas cabeceiras dos rios Tapajós e Xingu (Nahuque e Bacairi).
Inserido no território dos Gê, existia ainda o grupo Pimenteira. O núcleo originário, porém, está nas Guianas e na Venezuela.  Adversários implacáveis dosAruaque, os Caraíba adotaram, porém, muitos de seus costumes, inclusive a religião.
 A idéia de um Ser Supremo é muito difusa entre os diversos povos deste grupo, com tendência ao henoteísmo, ou seja, ao culto de uma divindade determinada com sentido de único deus, sem descartar-se das outras divindades.
Entre os Arikens, do Pará, o Ser Supremo é Purá, identificado com o sol, enquanto o seu companheiro, Murá, se identifica com a lua. Ambos moram na montanha do céu, donde observam todas as coisas: não morrem, não envelhecem, não têm pais nem parentes. Purá criou os homens, esculpindo-os em madeira. Fê-los imortais, mas como não quiseram seguir suas ordens, foram consumidos por um incêndio, do qual só poucos escaparam. Sobre estes, Purá mandará no fim do mundo um incêndio total.
Para os Caraíba do Suriname (Guiana Holandesa), a divindade central é Amana, deusa-mãe, virgem, com cauda de serpente. É o símbolo do tempo e a raiz de todas as coisas: não nasceu, nem morre, porque se renova constantemente. Gerou dois gêmeos: um na aurora, Tamusi, e outro no crepúsculo, Yolokan-tamulu. Tamusi criou todas as coisas boas, é o antepassado dos Calma, mora na luz fria da lua, é o senhor do Paraíso, ao qual vão os bons, que, porém, não o poderão contemplar por causa de seu esplendor. Tamusi combate todas as forças negativas. Yolokan-tamulu (yolokan = natureza; tamulo = avô) é o senhordos espíritos da natureza, criou a escuridão e o mal, mora no deserto do céu, em uma ilha chamada "país-sem-manhã": não é propriamente o opositor do bem, mas a face destruidora da natureza.
Os Caraíba do rio Barama, ao norte das Guianas, crêem em um "deus ocioso", cujo nome é ignorado. É o criador do universo, teve trato com os homens, mas depois afastou-se deles. Seu auxiliar, Komakoto, intervém no universo e nas coisas humanas.
Os Caraíba das nascentes do Xingu crêem no "senhor dos animais", Kagatopuri, que é a mais sutil das almas humanas, a qual, separando-se do corpo pela morte, tornou-se um espírito (kadopa) e, depois de longa peregrinação, chegou à vila do herói civilizador Nakoeri, transformando-se então em "iamura" (verdadeiro senhor dos animais).
Os ritos agrícolas são numerosos: danças com sentido orgiástico, oferta de bebidas inebriantes (caxiri) etc. Há também ritos de caça, com danças de máscaras, que representam os espíritos dos animais.
Mas a figura central é o pajé, cuja função exige treinamento ascético, técnicas de êxtase, contato com o mundo celeste, conhecimento das ervas medicinais etc. Até o vôo extático, que é próprio do xamanismo siberiano, encontra-se na pajelança dos Caraíba.  Os mitos são também numerosos, principalmente com referência aos irmãos gêmeos, Keri e Kame, nomes de origem aruaque, significando sol e lua. São heróis civilizadores.
Mas o mito mais notável é o de Macunaíma, deus criador dos Macuxi, Arecuna, Acavais, da Venezuela. Macunaíma quer dizer, literalmente, "aquele que trabalha bem à noite". Para vingar a mãe, morta por uma onça, mete-se em muitas aventuras, transformando-se em herói astuto e desinibido. 
Afora estes quatro grandes grupos lingüísticos, há outros grupos menores, como os Borôro do Mato Grosso e os Caigangues do Rio Grande do Sul e Santa Catarina, os quais, porém, afinam mais ou menos pelas mesmas idéias religiosas e pelos mesmos ritos.

sábado, 30 de junho de 2012

O Navio Negreiro

página 38, cena 3.

 Partindo da África para as casas de engenhos em Pernambuco, São Vicente ou Salvador, os negros eram transportados em péssimas condições e muitos não resistiam a viagem angustiante pelos mares tenebrosos, entretanto, o que mais me admirou em toda essa faceta da história é que os negros eram muito mais higiênicos do que os brancos, pois eles tomavam muitos banhos em um dia e os europeus tomavam pouquíssimos banhos em um ano!
 No Ceará a importação de negros não foi muito frequente pois não havia canaviais, outra economia se desenvolveu: a pecuária e a vaquejada; por isso aqui foi o primeiro lugar do Brasil onde se lutou pela libertação negra.

quinta-feira, 21 de junho de 2012

EM BUSCA DE OURO

Tropa do açoriano Pero Coelho procurando ouro nas matas da região do Jaguaribe em Aracati.
cena 1 da página 39.


"Talvez por dinheiro um dia até explodirias
                                       
O mundo inteiro e eu queria ser teu travesseiro

Quando se vês apenas como mais um a chorar
                          
Sempre em busca do prazer do ouro
                           
Quem te interfere perde o couro
                       
Mas te esqueces, teu tesouro é teu coração

E todo mal que o consome
                        
Bicho mau, bicho mau, bicho homem
                        
Bicho mau, bicho mau, bicho homem"

- Bicho Homem.
Baia e os Rock Boys.
http://www.youtube.com/watch?v=4-fmflS-6Es&feature=player_embedded


sexta-feira, 27 de abril de 2012

quinta-feira, 12 de abril de 2012

página 2

na segunda página o ãngulo da visão passa a ser a embarcação lusa.
acima do castelo de popa o governador-geral Diogo Botelho e o sargento-mor Diogo de Campos Moreno conversam sobre o novo mundo.

terça-feira, 10 de abril de 2012

SIARÁ - página 1

tamanho a3 artefinalizada a nanquim , pincel e bico-de-pena, em março 2012.
Ednardo Nogueira.

o espanto dos nativos no litoral do Mucuripe ao ver uma caravela lusa se aproximando.

terça-feira, 3 de abril de 2012

capitania da Paraíba, 1602.

Cena 3 da página 18.
enquanto o negro agoniza depois de ter sido chicoteado no pelourinho sua mulher tenta refrescá-lo com água; lá no fundo um mensageiro se aproxima da casa grande do senhor de engenho Pero Coelho de Sousa, o futuro desbravador do Ceará.
De origem açoriana, cunhado do donatário da Paraíba, Frutuoso Barbosa, Coelho de Sousa é homem ambicioso e sua intenção é se tornar rico descobrindo as minas misteriosas de El Dorado
 Mas grande frustração e desgraças o esperam na terra de Siará, pois não conseguirá riqueza, não conseguirá colonizar a terra, verá seus filhos morrendo de fome numa cruel seca e voltará palpérrimo para Lisboa sem dinheiro nem pra comprar sua própria mortalha.

Sua brava mulher teve seu nome, Maria Tomásia, gravada em umas das principais ruas de Fortaleza.
acompanhe o desenrolar dessa história em SIARÁ volumes I e II.

PERO COELHO DE SOUSA

PERO COELHO DE SOUZA (10 DE AGOSTO DE 1603)





A.R Uchoa
O primeiro fato a marcar a história do Aracati foi, sem sombra de dúvida, a chegada à foz do rio Jaguaribe de Pero Coelho de Souza. A data desse episódio inicial aconteceu em 10 de agosto de 1603, dia de São Lourenço no calendário católico e foi essa a razão pela qual o comandante daquela expedição, Pero Coelho de Souza deu nome daquele santo à fortificação que ele mandou edificar para se abrigar dos ventos muito fortes nessa época do ano, e se proteger dos nativos (índios portugueses?). Tivemos ai, portanto, três marcos iniciais: Os primeiros homens brancos a visitar oficialmente a nossa região (Pero Coelho de Souza e alguns de sua comitiva), a primeira data importante da nossa história (10 de agosto de 1603) e o primeiro edifício erguido em terra aracatiense, (o forte ou fortim de São Lourenço), construído provavelmente com as madeiras mais abundantes nas proximidades, o mangue e a carnaúba. Aliás, os materiais utilizados também se revestem de pioneirismo, porque, como todos sabem, dos manguezais e das carnaubeiras, a partir de então, passou a ser retirada grande parte da madeira utilizada na construção de casas e em serventias as mais diversas, (hoje já não se usa mais o mangue devido à proibição impostas pelas leis de proteção ambiental)
Em que pese a opinião contrária de vários historiadores, alegando insuficiência de provas documentais, o fato é que Pero Coelho de Souza e o Forte de São Lourenço, passaram à história como os marcos iniciais do povoado já poucos anos depois noticiado pelos visitantes – São José do Porto dos Barcos. Tanto que a enciclopédia dos municípios brasileiros. Volume XVI, ano 1959, diz textualmente, referindo-se ao lugar em que foi erguido o forte: “tratando-se de lugar seguro para as embarcações, esse ponto veio a ser chamado de São José do porto dos Barcos, e sucessivamente, Cruz das Almas e Santa Cruz do Aracati”. Acha-se que essa tradição tão arraigada na comunicação póstera deva ter sido originada do fato bem expressivo que foi a debandada por Pero Coelho de Souza, o qual após cinco anos de permanência no então Siará Grande teve que retornar a Paraíba acompanhado apenas da família, 18 soldados e um índio fiel, de nome Gonçalo.
Acredita-se que os demais companheiros, chefiados por Simão Nunes, tenham-se dispersado ao longo do Rio Jaguaribe, procurando iniciar vida mais estável. Teriam sido eles os primeiros colonos das regiões os futuros ou pais de futuros charqueadores. Segundo os relatos as coisas parecem ter se passado assim, de uma forma resumida: tudo começou com a chegada à Paraíba, no inicio do ano de 1603, do governador geral Diogo Botelho com a decisão de incrementar o desenvolvimento até então morno da capitania do Ceará, de explorar a região do Jaguaribe à procura de minas de ouro e prata, inclusive fundando povoados nos sítios mais apropriados e, em sequência, dar combate aos franceses que tinham aportado no Maranhão e já ocupavam a serra da Ibiapaba, no norte do Ceará, tentando abocanhar uma fatia do imenso território que os portugueses tinham tomado só para si. Por ultimo, objetivam também dilatar a fé, isso significando na maneira de dizer da época aumentar o reino de Deus pela conversão dos habitantes locais a fé católica. A empreitada era claramente muito difícil, mas logo se apresentou um candidato com o perfil considerado adequado para o tamanho do empreendimento. Tratava-se do açoriano Pero Coelho de Souza individuo conhecido como aventureiro, mas que tinha algumas das características exigidas: era branco e de origem nobre, havia participado de outras expedições guerreiras e principalmente exibia no curriculum vitae um predicado fundamental, uma ambição incomensurável que ele tentava esconder, argumentando nada querer em troca, tão somente “mercês honoríficas de sua majestade apenas para si e para os oficiais de seu séquito”, o que na verdade não era pedir muito, já que havia o risco e esse era o costume: o cidadão topava o risco tremendamente elevado de empreendimento em região selvagem e inóspita, mas recebendo em troca terras, poderes, títulos de nobreza, como compensação.
Dizem os historiadores que a expedição foi toda planejada, iniciando com reunião estratégica de um conselho de Olinda no dia 21 de Janeiro de 1603 para aprovação do projeto, que teve voto contra de Manoel Mascarenhas Homem e a favor de Feliciano Coelho de Carvalho, Gaspar de Figueiredo Homem, Diogo de Campos Moreno e João Barbosa de Almeida. Foi também aprovado um regimento interno para a expedição, a fim de dar racionalidade às ações e facilitar o comando de Pero Coelho de Sousa, sobre os seus comandados. Mas apesar do planejamento estratégico cuidadoso e da grande comitiva de 65 soldados e 200 índios, as coisas não saíram como pensado e ao final e ao cabo a expedição redundou em fracasso, ao menos na visão em curto prazo de Pero Coelho de Souza, pois não se achou nem ouro nem prata, os franceses continuaram no maranhão e as tais mercês honoríficas nunca foram concedidas, vindo Pero Coelho de Souza a falecer em Portugal, anos depois, na miséria e em completo abandono social, e sobretudo ignorado por todos. Com a volta a Portugal em busca das tais mercês, o infortunado explorador não pôde tomar conhecimento do sucesso da expedição no médio e longo prazo quando começaram a aparecer os resultados da exploração econômica das várzeas do Rio Jaguaribe e que era na verdade um dos objetivos oficiais do empreendimento, embora não necessariamente na cabeça de Pero coelho de Souza, obcecado que era apenas por resultados imediatos, as tais mercês honoríficos, e cegos aos resultados futuros, de prazo bem mais distante.
Não soube, por exemplo, que no local ou no entorno do local onde existia o forte ou Fortim de São Lourenço, poucos anos depois já se ouviria falar que um pequeno povoado, conhecido como São José do Porto dos Barcos, e que chamava a atenção dos viajantes, cujos moradores viviam basicamente da pesca no Rio Jaguaribe, mas também de atividades agrícolas diversas, cujos excedentes vendiam naquilo que seriam as primeiras feiras do Ceará. É perfeitamente válido que se possa especular que a construção de embarcações, o plantio de milho e feijão, a criação de pequenos animais e o trato de cajueiros nativos, muito abundantes na região, tenham sido as atividades desses homens e mulheres nestes dias originais. Também não teve a felicidade de ser informado dos progressos que alcançavam no criatório de gado aqueles seus companheiros que debandaram da expedição, mas que não voltaram para a Paraíba, preferindo continuar habitando a região do Jaguaribe, rio acima, juntamente com outros aventureiros que vinham rio abaixo, certamente convencidos da viabilidade de suas férteis várzeas para a instalação de seus primeiros roçados e de suas primeiras fazendas. Sempre perseguido pela má sorte, jamais imaginou que os netos daqueles pioneiros viessem a fazer fortuna, mal passados 100 anos, com um processo novo de conservação das carnes dos 20 a 25 mil bois abatidos anualmente nas oficinas de carne e que ficaram posteriormente conhecidas como charquedas, uma indústria (a primeira indústria) que por pelo menos um século seria a principal alavanca do desenvolvimento, tanto local como regional.
E, sobretudo não foi capaz de perceber que a sua luta de quase dois anos pela manutenção e crescimento do Forte de São Lourenço só daria resultado anos depois, culminando em 1714, quando a comunidade de São José do Porto dos Barcos, tendo à frente um grupo de charqueadores endinheirados, orgulhosamente inaugurava a primeira capela, “frente de tijolos, coberta de palha”, sinalização para o governo da capitania de que os “enormes investimentos feitos” começavam a mostrar resultados práticos para a Coroa portuguesa e para a cristandade, a ponto de um dos primeiros historiadores do Brasil e da América portuguesa, Sebastião da Rocha Pita, descrevendo a capitania do Ceará em 1727, destacar a pequena São José do Porto dos Barcos como “povoação formosa, à beira do Jaguaribe”, enquanto não contemporiza com a restante província, a qual define laconicamente como “a mais áspera e inútil do Brasil” (aliás, sobre a futura capital cearense ele informa que ela tinha “um pouco mais de trezentos moradores e logra de cidade só o privilégio”). Também jamais poderia imaginar que do seu malfadado empreendimento se originaria em poucos anos uma atividade econômica com todas as qualidades típicas capitalismo liberal: livre iniciativa, produção em escala industrial, comercialização com logística apropriada ao tamanho da demanda, globalização de mercado, nenhum controle de governo e, como seria de esperar a época, nenhuma preocupação com o meio ambiente.
Homem de ação e que perseguia apenas resultados imediatos, é pouco provável que Pero Coelho de Souza alguma vez sequer tivesse pensado na possibilidade de não colher pessoalmente os resultados de seus grandes trabalhos, mas, para a felicidade sua foi o que aconteceu, não obteve ganhos de curto prazo, as tal mercês honoríficas, mas hoje seu nome está escrito nos livros históricos de pelo menos quatro estados brasileiros, Ceará, Rio Grande do Norte, Paraíba e Pernambuco, concedendo alguma mercê, ainda que as não buscadas (malditas mercês!!!), ao valente empreendedor reconhecido postumamente pela visão socioeconômica dos nossos dias como um homem verdadeiramente a frente do seu tempo mesmo que à época ele não tenha percebido.
A outra fortificação erguida por Pero Coelho de Souza o Forte São Tiago, na foz do Rio Ceará, também não teve sucesso em que pese ter sido comandada a maior parte do tempo, após a resistência de Pero Coelho de Souza, por um homem de tempera mais forte e de mais preparo psicológico, Martim Soares Moreno, um dos companheiros de Pero na expedição de 1603 e que terminou passando a história como fundador do Ceará pela persistência demonstrada no fortalecimento da colônia e pela habilidade que tinha no trato com os índios (É o formoso guerreiro branco no romance indianista Iracema, de José de Alencar). Mas mesmo reconhecendo o trabalho de Martim Soares moreno, alguns historiadores de fortaleza recentemente tentaram resgatar em favor de Pero Coelho de Souza a primazia dessa fundação com um projeto lançado na Câmara Municipal em que alterava a fundação da capital cearense e que não foi aprovado, ao menos nessa primeira vez. Por enquanto, continua firme por aqui a falta de sorte do famoso aventureiro, certamente por causa da sua desistência precoce, cabendo aqui uma indagação para futuras pesquisas: por que desistiu Pero Coelho de Souza tão rapidamente, frustrando as expectativas iniciais do planejamento e contrariando o seu intuito evidente de permanência definitiva, tanto que trouxe a mulher e os cinco filhos?- O motivo estaria relacionado apenas à obsessão pelas azaradas e inoportunas mercês? Ou teria sido tão somente falta de persistência e abundância